Santa Terezinha

Família Bejger é a maior produtora de mel orgânico de Santa Terezinha

Reprodução You Tube


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Gian Carlos Bejger, 26 anos, e seu pai, Domingos Bejger, de 59 anos, moradores da comunidade Serra da Garganta, a 13 km do centro de Santa Terezinha, são os protagonistas da maior produção de mel orgânico do município.

Para o mel ser orgânico o sistema de produção é rigoroso. E Gian menciona alguns cuidados "Desde os apiários até à casa de extração do mel o cuidado é extremo. Tem que ser tudo em inox, não pode haver nenhum utensílio em madeira. As paredes são todas revestidas em piso, dentro de normas. A higiene é um fator primordial. Ninguém entra na sala sem jaleco, toca e sem ter cuidados com a higiene. A água deve ser tratada. Enfim, são vários os fatores", revela o jovem produtor.

Toda a produção de mel passa pela casa de extração, onde é feito o processo para retirar o mel do favo. "Pegamos o quadro e colocamos na máquina que vai desopercular. Depois vai para a centrífuga, para tirar todo o mel. Após, o mel segue para o tambor sem contato nenhum com a mão. Do tambor já é lacrado e depois vai direto para a empresa, para exportação. Após todo esse processo, o quadro volta novamente para o apiário sem danos nenhum à cera, para a abelha poder repor o mel novamente", explica o apicultor.

A instalação das colmeias é o primeiro passo no cuidado para a produção do mel orgânico "O diferencial do mel orgânico é a vegetação e a ausência total de agrotóxicos. Para instalação das nossas colmeias procuramos áreas sempre distantes de lavouras de soja e milho", explica Gian.

Grande parte da produção da família Bejger fica em locais de difícil acesso "Temos apiários com distância de 200 metros da nossa propriedade, mas temos muitos a 130 km de onde residimos. Percorremos vários quilômetros para garantir a qualidade do mel", diz Bejger e acrescenta "Nosso mel é 100% orgânico, temos apiários instalados em matas gigantescas, muitos deles em reservas ambientais onde não têm interferência de agrotóxicos. Nossas colmeias estão espalhadas em nove municípios da região em terrenos que arrendamos exclusivamente para a produção".


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Mas se o mel não for orgânico, qual sua qualificação? Gian tem a resposta: "Se não passar nos critérios do mel orgânico é considerado mel convencional", explica o jovem e afirma "O sistema de classificação é muito rigoroso. Só na nossa empresa o mel que produzimos passa por 30 análises. São várias análises em busca de qualquer resíduo de agrotóxicos ou contaminação. E caso não passe como orgânico a empresa consegue vender como mel convencional, no entanto, o preço é bem mais baixo e esse mel convencional não vai para exportação é vendido todo no mercado interno".

Bejger revela também que todos os apiários são registrados com ponto de GPS, afim de garantir a qualidade do mel orgânico. "Não adianta apenas dizer que o mel é orgânico, enquanto lá na Europa eles vão analisar, através do GPS, onde está instalado o apiário, buscando saber qual é a vegetação que se encontra ao redor. Porque qualquer lavoura que tiver de soja ou de milho próxima, mesmo que seja pequena, já interfere na qualidade do mel. Pois a abelha busca esse pólen e entra para a colmeia contaminado".

Há cuidado também dos produtores no possível contato das abelhas com a população. "A instalação dos apiários em locais distantes também é importante para preservar a população, pois a abelha Apis Mellifera é agressiva", afirma Gian.

O início da produção de mel na família  

A apicultura é a principal atividade da família, e Domingos Bejger foi o precursor na profissão "Comecei a trabalhar com mel em 1978, e o motivo de começar foi por gostar mesmo. Porque na época não existia nem venda de mel, não existia empresa que comprasse. Então, ficávamos com mel de um ano para o outro. Iniciei e continuei trabalhando com mel por amor e vocação", revela o produtor. 

Gian seguiu os passos do pai "Desde os 8, 9 anos de idade já andava junto com meu pai e fui gostando da lida, sempre segui essa profissão, de apicultor. Gosto muito de trabalhar com abelhas e não me vejo fazendo outra atividade, a ideia é continuar sempre", menciona.

Mesmo sendo um produtor jovem, Gian já foi destaque em níveis estadual e nacional na produção de abelhas rainha, mas atualmente só produz para a demanda dos apiários da família. "A cada ano, um ano e meio é feita a substituição das rainhas para a melhora da genética, porque a rainha velha não consegue manter a população de 70 mil abelhas por colmeia para manter uma produtividade boa, então, fazemos a substituição por rainhas novas. E a genética é excelente. No inverno não tem muita produção, mas na época de outubro e novembro elas começam a encher o néctar pra recolher o mel", revela o produtor.

A produção dos Bejger envolve mais de mil colmeias "Já estamos com 1200 colmeias, aumentamos bastante a quantidade em vista do que era no início. Isso também devido que as empresas já vêm comprando o mel, coisa que antes quase não tínhamos pra quem vender", afirmam pai e filho e complementam "Conseguimos chegar a uma produção de 56 quilos por colmeia".


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De Santa Terezinha para o mundo. Gian conta que o mel produzido por eles é fornecido para duas empresas catarinenses que exportam a produção para a Europa "Fornecemos para duas empresas, a Apis Nativa de Araranguá e a Minamel de Içara".

Santa Terezinha é o quarto maior produtor de mel de Santa Catarina. Na safra de 2015 teve uma média histórica para o estado, ano que SC foi a maior produtora do país com oito milhões de quilos e Santa Terezinha foi responsável pela produção de 201 toneladas de mel. "De lá pra cá tem se mantido esse quadro no estado, Santa Terezinha sendo o quarto produtor de mel. Santa Catarina é o segundo maior exportador de mel do país. As regiões estrangeiras que mais recebem nosso mel são Estados Unidos e União Europeia", explica Enio Frederico Cesconeto, Presidente da FAASC - Federação das Associações de Apicultores de Meliponicultores de Santa Catarina.

"Cada vez mais vamos melhorando", afirma Gian. "Melhorando a genética das abelhas, melhorando as colmeias. Buscando também mais áreas com mais matas nativas, lugares melhores para a produção de um mel de qualidade", finaliza o jovem com entusiasmo.

Jornal A Tribuna do Vale


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