Coluna/Emerson Lima

Salvem as crianças

Na semana passada comemoramos o dia das crianças. Esta palavrinha vem do Latim creare, “produzir, erguer”, relacionado a crescere, “crescer, aumentar”, do Indo-Europeu ker-, “crescer”. A palavra já diz tudo, crianças são energia e vida, é uma explosão de curiosidades e inquietação. Mas o que se está vendo nos últimos tempos relacionado às crianças é uma espécie de ditadura da criança feliz e saudável. Cada vez mais há um enorme número de jovens e adultos sem a mínima capacidade de formar e educar um filho. São pais extremamente cedo e despreparados. Sempre focados, nesta fase da vida, na expansão financeira e intelectual. Os filhos aparecem quase como um ‘acidente’ ou uma falha dos anticoncepcionais, ou seja, não vieram ao mundo, muitas crianças, pelo desejo dos pais de ter um filho, mas porque os métodos falharam. E o resultado desse fenômeno são as creches e os consultórios de psiquiatria pediátrica e psicopedagogia cheios. A ditadura de silenciar as crianças é outro fator preocupante. Como se não bastasse a televisão em casa, o celular e a falta de espaço no quintal, na sala, no quarto e na rua para elas brincarem, a moda agora é encher esta criança de algum medicamento que a deixe ‘calma e tranquila’ para ela não explodir dentro da sala de aula e não perturbar as professoras que tem que lidar com mais de vinte crianças ao mesmo tempo sentadinhas na sala. Pensa na situação! Coitada da professora! Digo isto, não no sentido negativo, mas a sala de aula é um dos poucos espaços onde as crianças interagem umas com as outras, onde elas se socializam e partilham experiências e informações sem a televisão e sem o computador e celular. Ao chegar à sala o que elas menos estão preparadas é para apreender o conteúdo e as tarefas propostas. Nem ficar sentadas nas cadeiras elas querem mais. Vão mais de dez vezes ao banheiro, sem contar nas vezes que tem sede ou outra coisa parecida. Querem se movimentar, interagir e extravasar as energias... Por outro lado estão as indicações da moda para ‘acalmar’ as crianças, fora o benzimento para dormir bem à noite sem ter sonambulismo, pesadelos, micção noturna, medo e males estares, há também os chazinhos que acalmam e o pior de tudo, as drogas farmacológicas que sonambulizam as crianças, porque são hiperativas! Hiperativas? Piada boba. A criançada é cheia de vida. Tem energia. Precisa extravasar! Querem crescer. E assim começa a ditadura do bom comportamento. Das negociações com os filhos para serem educadinhos e quietinhos. Está na hora dos pais reverem o tempo que disponibilizam com seus filhos. Não basta fazer. Não basta dar comida. Não basta matricular na escola. Não basta mandar para a Igreja. Não basta! Tem que ser pai e tem que ser mãe. Tem que rever o tempo com qualidade. Tem que participar em tudo da vida dos filhos. Tem que amar. Isso leva tempo e exige um esforço sobre- -humano. E vale a pena!


colunas

Luiz Carlos Prates


Apóstolos Olímpio e Iracema




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