Opinião

Não foi desastre em Brumadinho, Minas Gerais

Padre Gilson

O que verdadeiramente aconteceu em Brumadinho, Minas Gerais, não foi um desastre natural. Mas sim um crime, como se a natureza desse uma resposta aos abusos do capitalismo. Uma empresa chamada Vale que em nome do lucro manteve uma barragem ultrapassada em seu modelo. Em outras palavras, o lucro acima das pessoas. O resultado, conhecemos. Mortes, natureza devastada, rio poluído, economia local destruída. É o preço que pagamos quando o lucro se torna um deus.

A Companhia Vale do Rio Doce é uma mineradora multinacional. Uma das maiores do mundo no ramo de minério. Já foi empresa estatal. Hoje é privada de capital aberto. Em novembro de 2007, tornou-se a 31º maior empresa do mundo. Em janeiro de 2012 foi eleita como a pior empresa no quesito direitos humanos e meio ambiente. A prova disso foi o que aconteceu em Mariana e agora em Brumadinho. Seus atos sempre privilegiaram o capital. E não pessoas. O lucro sempre foi à bandeira motriz que impulsionou a empresa. Nesse crime em Brumadinho há uma série de irregularidades. Esperamos que o ministério público, juntamente com a polícia e demais órgãos como IBAMA, faça um pente fino nessa empresa. Pois vidas foram perdidas para sempre. Dinheiro algum pode trazer uma vida de volta.

As perguntas que devemos fazer é: o que podemos aprender de tudo isso? A justiça se fará efetivamente? Mas independente das perguntas. Fica a indignação. O capital financeiro enterrou a dignidade humana. Esse crime não atinge somente a economia local. Atinge vidas. Devemos diante de tudo isso cobrar uma posição de nossas autoridades. A vida deve estar acima do lucro. A lama que passou não levou somente coisas. Levou sonhos... Famílias... Dignidade... Tal crime jamais deve acontecer. Pois, com os recursos tecnológicos que temos hoje é possível prever e prevenir tais acontecimentos. Os responsáveis devem ser nomeados e punidos. A empresa precisa rever seu modus operandi. Afinal de contas é possível ter o lucro respeitando a vida humana e toda a natureza. Sabendo que os recursos naturais possuem uma finitude e devem ser usados de forma racional. É preciso que toda a sociedade acorde do sono do lucro. E pensemos também nas pessoas.



colunas

Luiz Carlos Prates


Apóstolos Olímpio e Iracema




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