Candidatos afirmam que as questões fugiram do edital e suspeitam do uso de inteligência artificial na elaboração do exame; mais de cento e cinquenta mil pessoas se inscreveram

Milhares de candidatos que participaram do concurso público voltado para a área da educação do estado de Santa Catarina utilizaram as redes sociais nesta segunda-feira para tecer duras críticas à prova aplicada no último domingo, dia vinte e quatro de maio. A principal queixa relatada pelos professores e demais profissionais da área é de que as questões apresentadas teriam fugido completamente do conteúdo programático que estava previsto no edital oficial. Organizado pela Fundação Universidade Regional de Blumenau para a Secretaria de Estado da Educação, o certame desponta como um dos maiores já realizados na história catarinense. O concurso oferta cerca de dez mil vagas para cargos de docência e atividades administrativas, tendo atraído um expressivo contingente de mais de cento e cinquenta e quatro mil inscritos que realizaram as avaliações objetivas em diversas cidades do estado.

Logo após deixarem os locais de prova, os candidatos relataram um sentimento generalizado de frustração. Muitos afirmaram que estudaram arduamente baseando-se nas diretrizes do edital, mas foram surpreendidos por questões excessivamente longas, confusas e sem relação com a bibliografia divulgada. Uma das candidatas chegou a relatar em suas redes que a prova não estava apenas difícil, mas sim inexecutável, enquanto outro participante ironizou a situação afirmando que parecia estar fazendo um exame para o cargo de juiz federal. Vários profissionais classificaram a experiência como humilhante e relataram ter perdido o ritmo de raciocínio, ressaltando que, ao chegarem nas alternativas de resposta, já não conseguiam lembrar do enunciado das perguntas, que frequentemente se baseavam em situações puramente hipotéticas e vazias de embasamento teórico e legal.

Suspeita de inteligência artificial e pedidos de anulação

Uma parte expressiva dos relatos levantou a forte suspeita de que as questões teriam sido geradas por meio de ferramentas de inteligência artificial. Como indício dessa suposta prática, os candidatos citaram a repetição exaustiva da expressão "à luz de" em quase todos os parágrafos, além de apontarem supostos erros gramaticais nos enunciados. As queixas sobre o nível de dificuldade irreal não se restringiram apenas aos docentes, englobando também os candidatos aos cargos administrativos, de informática, de orientação educacional e especialistas em Libras.

Diante do volume de reclamações, as opiniões dos concurseiros se dividem entre responsabilizar a banca organizadora que elaborou as perguntas ou cobrar providências diretas da Secretaria de Estado da Educação, órgão responsável por contratar e fiscalizar a empresa. Um grupo de candidatos chegou a pedir formalmente à banca que a média mínima exigida para a aprovação no certame seja reduzida da nota seis para cinco. De acordo com o cronograma oficial, os cadernos de questões e o gabarito preliminar seriam divulgados nesta segunda-feira, dia vinte e cinco de maio, no portal da fundação. Com a publicação, os candidatos podem apresentar os recursos cabíveis nos dois dias seguintes. O resultado, contendo o gabarito definitivo após as contestações, está marcado para o dia dezoito de junho. Até o momento, as instituições responsáveis não se manifestaram oficialmente sobre a polêmica.

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Fonte: JR

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